Wednesday, April 25, 2007

Nós que sempre nos queixamos da falta de espaço...

Criei esse blog - hum, o nome da coisa já não é muito animador; blog me sugere onomatopeicamente algo desastroso, de odor pouco convidativo ou textura incerta... Dizia que criei esse blog meio sem intenção. Tantos escritos acumulados ao longo de tantos anos. Repetições de palavras, de idéias e sonhos. Muitos sonhos reincidentes.
Muito conteúdo, enfim, e pouca mídia. Mais por inércia ou excesso de rigor (e pretensão, claro, claro, claríssimo) que por portas fechadas na cara, telefones desligados na orelha, e-mails apagados na tela.
No início eram as pastas de cartolina com trilhos de latão enferrujado. E dentro delas, centenas de folhas de papel dos mais variados formatos e cores – e amarelados mofados –, com versos e rimas. Datilografados aqui e ali. Por isso e por aquilo. Ou por nada.
Concursos de poesia – alguns. Envio a amigos – alguns. Envio a namoradas – todas.
Poucos concursos ganhos, poucos amigos perdidos, namoradas ganhas (pelo menos isso).
E houve um livro, em condomínio, de poesias.
E houve alguns contos premiados.
E só.
No mais, palavras são meu ganha-pão.
Palavras minhas ditas em tinta para os outros.
Palavras dos outros retocadas por mim para outros ainda.
E tem as fotos, minha cleptomania crônica em relação ao mundo. Mania incontrolável de guardar, colecionar qualquer coisa. Touro sentado no pasto da vida.
Criei esse blog, acho, para colocar aqui um pouco desse entulho todo.
Vamvê.